Uvas

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A idéia central da seção Vinho do blog é a de desvendar os segredos dessa bebida milenar que tem aqui em Portugal uma rica história, são muitas as regiões produtoras, vinhos famosos, uma variedade enorme de uvas e vinhos que podem satisfazer dos mais modestos aos mais exigentes paladares, peguem suas taças e vamos começar essa viagem.

O início da minha relação com o vinho começou aqui em Portugal quando tinha 3 anos de idade na casa de meus avós paternos e perdurará para sempre…

Uvas


Vamos iniciar nossa viagem pela matéria-prima básica do vinho, a uva, Portugal tem nada menos que 285 castas nativas e mais outras cerca de 33 castas não nativas plantadas aqui atualmente, não vamos falar sobre todas elas, mas sobre as principais e mais encontradas nos rótulos de vinhos pelas milhares de garrafeiras país afora.

Tintas

Touriga Nacional A estrela maior da constelação portuguesa de uvas tintas, ela é plantada praticamente de norte a sul do país, é muito difícil encontrar uma garrafa de vinho tinto que não a contenha, está presente nos vinhos do Porto, Alentejo, Dão… Os vinhos obtidos são geralmente complexos e de qualidade muito elevada, apresentando grande intensidade de cor e aroma, geralmente redondo e macio lembrando frutos silvestres maduros; apresentam também uma elevada capacidade para o envelhecimento e em particular em madeira.
Trincadeira Cultivada também em todo o país, principalmente no Douro, Porto e Trás-os-Montes. Os vinhos jovens apresentam uma cor granada intensa e no aroma são perceptíveis algumas notas de ameixa passa, predomina um aroma herbáceo associado a especiarias e pimenta, com a evolução podem encontrar-se aromas de compotas e uma grande complexidade e finura; na boca, os vinhos são geralmente macios, mostrando notas semelhantes ao aroma. Apresentam boa aptidão para envelhecimento e em particular para o envelhecimento em madeira.
Aragonez Cultivada em diversas regiões, em especial no Douro, Porto e Trás-os-Montes, apresentando-se no geral com um vigor médio a elevado e elevada homogeneidade de produção. Os vinhos obtidos são macios ao sabor e bem providos de matéria corante e aromaticamente intensos e complexos, desenvolvendo aromas de ameixas e frutos silvestres.
Baga Cultivada em todo o país devido à sua versatilidade, mas é a casta predominante da Bairrada. Os vinhos apresentam cor intensa, rubi ou granada, por vezes violáceos, de aroma muito frutado, com notas de amora, compota, mel e cânfora; na boca, os vinhos jovens por vezes apresentam taninos fortes, mas com a correta maturação, os taninos arredondam. Apresentam boa aptidão para envelhecimento em madeira.
Tinta Barroca Cultivada em todo o país, em especial no Douro, Porto, Trás-os-Montes, Lisboa, Tejo, Península de Setúbal e Alentejo. Os vinhos apresentam cor rubi de média intensidade, de aroma “horizontal”, ou seja, com um acesso lento ao nariz, aveludado e delicado; quando cultivada em locais mais úmidos, pode aparecer com maior frequência o aroma floral. Apresentam boa aptidão para envelhecimento e em particular para o envelhecimento em madeira.
Touriga Franca Cultivada em todo país, em especial no Douro, onde representa 20% das castas plantadas, é extremamente versátil, produtiva e com equilíbrio e regularidade da produção. Os vinhos são ricos em cor e graças à forte concentração de taninos, contribui para o bom envelhecimento dos lotes onde participa. Oferece fruta farta, proporcionando vinhos de corpo denso e estrutura firme mas, simultaneamente, elegantes. Por regra os vinhos sugerem notas florais de rosas, flores silvestres e amoras.

Brancas

Alvarinho Na minha opinião a Alvarinho é a estrela das uvas brancas portuguesas, assim como a Touriga Nacional é para as tintas, é ela a responsável pela fama dos vinhos brancos produzidos na DOP Vinho Verde (regiões de Monção e Melgaço) e no geral evidenciam ser equilibrados, com boa estrutura e teor alcoólico e alguma acidez, de cor intensa palha com reflexos cítricos, aroma intenso e complexo, conjugando num perfil floral (flor de laranjeira e violeta) e frutado (desde o marmelo, pêssego, limão, maracujá e lichia) muito característico e por vezes amendoado que lhe dá um carácter encorpado e persistente e boa capacidade de envelhecimento.
Antão Vaz Cultivada principalmente nas diversas sub-regiões do Alentejo, bem como em Lisboa e na Península de Setúbal. De vigor elevado e com boa produtividade, os vinhos geralmente de cor citrina clara e intensidade média apresentam grande finura e complexidade, onde sobressaem notas de frutos tropicais maduros; de elevado teor alcoólico, na boca, os vinhos são macios, com ligeira acidez e estruturados, com um final persistente e harmonioso.
Arinto Cultivada em todo o país com especial destaque na DOP Bucelas, tem grande valor do ponto de vista enológico, os vinhos apresentam geralmente uma cor cítrica aberta e boa acidez, com aromas cítricos e por vezes algum mineral, medianamente intensos e com elevada capacidade de envelhecimento.
Fernão Pires É mais cultivada nas zonas do centro e sul, especialmente na zona da Bairrada, Estremadura, Ribatejo e Setúbal. A casta Fernão Pires tem uma maturação muito precoce, por isso é uma das primeiras castas portuguesas a ser vindimada, possui um bom teor alcoólico e uma acidez baixa ou média, por isso os vinhos produzidos ou misturados com esta casta têm intensos aromas florais.
Loureiro Considerada originária da região dos Vinhos Verdes, apresenta-se com maior expansão na IGP Minho, embora também seja cultivada nas IGP Beiras e Península de Setúbal. Os vinhos que devem ser bebidos jovens, apresentam geralmente uma tonalidade citrina de cor fraca e aromas muito nobres, por vezes marcados de loureiro, tília, citrinos e acácia forte; o sabor frutado apresenta uma ligeira acidez, fresco, encorpado, harmonioso e persistente.
Trajadura Tem a sua maior expansão em toda a região da IGP Minho. Não tendo grande potencial para vinhos elementares, é normalmente lotada com Loureiro, Alvarinho e Arinto, originando vinhos que devem ser bebidos jovens, de cor palha-dourada intensa, aroma intenso a frutos de árvore maduros (maçã, pêra e pêssego) macerados, de sabor macio, quente e redondo, embora possam apresentar algum desequilíbrio com baixa acidez.



Fonte: Instituto da Vinha e do Vinho.

1 Comentário

  1. Selma Saraiva diz:

    Ricardo,

    Você está expert em vinhos. Admiro quem entende e gosta. Não é o meu caso.

    Parabéns pela pesquisa.

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